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domingo, 15 de janeiro de 2012

"8 BATUTAS"


Oito Batutas foi um conjunto musical brasileiro criado em 1919 no Rio de Janeiro e formado por Pixinguinha na flauta, Donga e Raul Palmierino no violão,
Nelson Alves no cavaquinho, China no canto, violão e piano,
José Alves no bandolim e ganzá e Luis de Oliveira na bandola e reco-reco.
O repertório do conjunto incluía choros, maxixes, canções sertanejas,
batuques e cateretê.
O conjunto foi formado para apresentar-se no Cine Palais a pedido de seu gerente, Isaac Frankel, que ouvira o Grupo Caxangá, no qual tocavam Donga,
Pixinguinha e João Pernambuco, um dos maiores violonistas da história do choro,
autor de Luar do Sertão em parceria com Catulo. Estreou na sala de espera deste cinema, tornando-se uma atração a parte, maior até que os próprios filmes.
Alguns dos admiradores do grupo eram Rui Barbosa e Ernesto Nazareth,
que se revelara apresentando-se no Cine Odeon, exatamente situado defronte
ao Palais, ambos na Cinelândia.
Pelo sucesso do grupo, os Batutas começaram a apresentar-se em festas em casas da alta sociedade, bem como no cabaré Assírio, no subsolo do Teatro Municipal - onde acompanharam os dançarinos Duque e Gaby. A convite destes, e com patrocínio de Arnaldo Guinle, os Batutas viajaram a Paris em 1922, apresentando-se por 6 meses na boate Schéhérazade. Depois de voltar ao Brasil, excursionaram também para Buenos Aires, onde fizeram gravações para a Victor argentina.



Discografia

"Meu passarinho/Até eu" (1923)
"Caruru/Urubu" (1923)
"Graúna/Me deixa, serpentina!" (1923)
"Lá-Ré/Pra quem é..." (1923)
"Se papai souber/Tricolor" (1923)
"Bataclan/Lá vem ele" (1923)
"Nair/Não presta pra nada" (1923)
"Falado/Já te digo" (1923)
"Três estrelinhas/Vira a casaca" (1923)
"Até a volta/Vitorioso" (1923)
"Oito Batutas" (1995) Revivendo CD

domingo, 21 de agosto de 2011

ZEQUINHA DE ABREU"


José Gomes de Abreu, mais conhecido como Zequinha de Abreu (Santa Rita do Passa Quatro, 19 de setembro de 1880 São Paulo, 22 de janeiro de 1935) foi um músico, compositor e instrumentista brasileiro. Tocava flauta, clarinete e requinta. Um dos maiores compositores de choros, é autor do famoso choro "Tico-Tico no Fubá" que foi muito divulgado no Exterior nos anos 40 por Carmen Miranda. É pouco provável que a similaridade desta melodia com uma no primeiro movimento do Concerto para Piano Op.15 de Beethoven seja mera coincidência. Abreu foi organizador e regente de orquestras e bandas no interior paulista.

Zequinha de Abreu era o mais velho dos oito filhos do boticário José Alacrino Ramiro de Abreu e Justina Gomes Leitão. Sua mãe anseava para que ele seguisse a carreira de padre e o pai, desejava que se formasse em medicina. Mas aos seis anos de idade, ele já mostrava que tinha vocação para a música, tirando melodias da flauta. Ainda durante o curso primário organizou uma banda na escola, da qual ele mesmo era o regente. Com 10 anos, já tocava requinta, flauta e clarineta na banda e ensaiava suas primeiras composições.
Zequinha estudou em Santa Rita do Passa Quatro e no Colégio São Luís de Itu. Em 1894 foi para o Seminário Episcopal de São Paulo, onde aprendeu harmonia. Aos 17 anos voltou para sua cidade natal e fundou sua própria orquestra visando se apresentar em saraus, bailes, aniversários, casamentos, serestas e em cinemas, acompanhando os filmes mudos. Nessa época, fez suas primeiras composições conhecidas, como "Flor da Estrada" e "Bafo de Onça".
Aos 18 anos contraiu matrimônio com Durvalina Brasil, que tinha apenas 14 anos de idade. O casal morou por alguns meses no Distrito de Santa Cruz da Estrela, atual Jacerandi, próximo a Santa Rita. Cuidavam de uma farmácia e de uma classe de ensino primário. De volta à Santa Rita, Zequinha coordenou o trabalho da orquestra com os cargos de secretário da Câmara Municipal e de escrevente da Coletoria Estadual.

Principais composições



Tico-Tico no Fubá - choro
Branca - valsa
Tardes de Lindóia - valsa
Amando sobre o Mar - valsa
A Companhia Vera Cruz produziu o filme "Tico-Tico no Fubá", baseado em sua vida.

"WALDIR AZEVEDO"


Waldir Azevedo (Rio de Janeiro, 27 de janeiro de 1923 - Brasília, 21 de setembro de 1980) foi músico e compositor brasileiro, mestre do cavaquinho e autor do choro "Brasileirinho".Waldir Azevedo foi um pioneiro que retirou o cavaquinho de seu papel de mero acompanhante no choro e o colocou em destaque como instrumento de solo, explorando de forma inédita as potencialidades do instrumento.

Waldir Azevedo nasceu de família pobre em 1923 na cidade do Rio de Janeiro,
no bairro da Piedade, e passou a infância e a adolescência no bairro do Engenho Novo. Manifestando interesse em música ainda criança, Waldir conseguiu comprar uma flauta transversal aos sete anos de idade, depois de juntar dinheiro capturando passarinhos e vendendo-os.
No carnaval de 1933, aos 10 anos de idade, apresentou-se em público pela primeira vez, como flautista, tocando "Trem Blindado", de João de Barro, no Jardim do Méier.
Já adolescente, conheceu um grupo de amigos que se reunia aos sábados para tocar e, por influência deles, acabou por trocar a flauta pelo bandolim. Pouco tempo depois trocou o bandolim pelo cavaquinho, instrumento que deixou de lado quando o violão elétrico ganhou projeção no Brasil.
Waldir sonhava ser piloto de aviões, mas problemas cardíacos o impediram de realizar seu sonho, e ele acabou empregando-se na companhia elétrica do Rio de Janeiro, a Light, até que em 1945, aos 22 anos, enquanto passava a lua de mel na cidade de Miguel Pereira, recebeu um telefonema de um amigo avisando de uma vaga no grupo de Dilermando Reis, em um programa da Rádio Clube do Brasil. Tocou no grupo durante dois anos, após o que acabou assumindo sua liderança, com a saída de Dilermando em 1947.
Durante a década de 1950 fez grande sucesso com composições como "Brasileirinho", "Pedacinhos do Céu", "Delicado", "Chiquita" e "Vê Se Gostas", e as composições de Waldir o projetaram internacionalmente. Durante 11 anos viajou com seu conjunto por países da América do Sul e Europa, incluindo duas viagens patrocinadas pelo Itamaraty na Caravana da Música Brasileira. Suas composições tiveram gravações no Japão, Alemanha e Estados Unidos, onde Percy Faith e sua orquestra atingiram a marca de um milhão de cópias vendidas com uma gravação de Delicado. Waldir chegou a participar de um programa na BBC de Londres, transmitido para 52 países.
Em 1964, com a morte de sua filha Miriam aos 18 anos, afastou-se da música. Mudou-se para Brasília em 1971, aos 48 anos, onde sofreu um acidente com um cortador de grama onde quase perdeu seu dedo anular, e foi forçado a ficar sem tocar por um ano e meio. Após cirurgias e fisioterapia, recuperou-se e voltou a gravar.
Waldir Azevedo morreu em 1980 na Beneficência Portuguesa de São Paulo em decorrência de um aneurisma da aorta abdominal, poucos dias antes de começar as gravações de um novo álbum meticuloso, Waldir ainda deixou instruções para os músicos gravadas em fita cassete. Ele tinha 57 anos

Composições mais famosas






Maresias bela vista
A tuba do vovô
A voz do cavaquinho
Alvoroço
Amigos do samba
Arrasta-pé
Baião do neném (com Paulo Jorge)
Balada oriental
Bo bo bom
Brasileirinho
Brincando com o cavaquinho
Cachopa no frevo
Camundongo (com Risadinha do Pandeiro)
Carioquinha
Cavaquinho seresteiro
Cinco malucos
Chiquita
Chorando escondido
Chorando calado
Choro doido
Choro novo em dó
Colibri
Contando tempo
Contraste (com Hamilton Costa)
Conversa fiada (com Jorge Santos)
Dançando em Brasília
Delicado
Dobrado, embrulhado e amarrado
Dois bicudos não se beijam
Flor do cerrado
Frevo da lira (com Luiz Lira)
Guarânia sertaneja
Já é demais (com Jorge Santos)
Jogadinho
Lamento de um cavaquinho
Lembrando Chopin (com Hamilton Costa)
Longe de você
Luz e sombra
Madrigal
Mágoas de um cavaquinho (com Fernando Ribeiro)
Marcha da espera
Melodia do céu
Mengo (com Edinho)
Meu prelúdio
Minhas mãos, meu Cavaquinho
Minimelodia
Moderado
Mr. Downey
Nosso amor
Para dançar
Paulistinha
Pedacinho do Céu
Piccina mia
Pirilampo
Pois não
Queira-me bem
Quitandinha (com Salvador Miceli)
Riso de criança
Sem pretensões
Sentimento chinês
Só nostalgia
Só para dois
Sonho de criança
Tema nº 1
Tempo de criança
Tic-tac
Tio Sam
Turinha
Uma saudade
Vê se gostas
Veraneando
Você
Você, carinho e amor
Vôo do marimbondo
Waldirizando

Discografia

Carioquinha/Brasileirinho (1949)
Cinco malucos/O que é que há (1950)
Quitandinha/Vai por mim (1950)
Delicado/Vê se gostas (1950)
Pisa mansinho/Pedacinho do céu (1951)
Jalousie/Camundongo (1951)
Paulistinha/Cachopa no frevo (1951)
Mágoas de um cavaquinho/Chiquita (1952)
Vai levando/Mengo (1952)
Colibri/Luz e sombra (1952)
Brincando com o cavaquinho/Dezoito quilates (1953)
Vôo do marimbondo/Ava Maria com prelúdio (1953)
Pergunte pra mamãe/Piccina mia (1953)
Tic-tac/Queira-me bem (1953)
Já é demais/Amigo do rei (1954)
Dobrado, embrulhado e amarrado (c/sua banda)/Você (c/seu conjunto) (1954)
Pretenda/Quando eu danço com você (1954)
Tio Sam/Madrigal (1954) Todamérica 78
Na baixa do sapateiro/Amigos do samba (1955)
Meu sonho/Conversa fiada (1955)
Pirilampo/Baião do neném (1955)
Para dançar/Nosso amor (1956)
Serra da boa esperança-Rancho fundo-Favela/Veraneando (1957)
Evocação/Vai com jeito (1957)
Cavaquinho maravilhoso (1957) Continental LP
Luar de Paquetá/Sentimento chinês (1958)
Sonho de criança/Tempo de criança (1958)
O apito no samba/Mr. Downey (1958)
Um cavaquinho me disse (1958)
Se você soubesse/Dançando em Brasília (1959)
Um cavaquinho na society (1959)
Contando tempo/Catete (1960)
Souvenir do carnaval (1960)
Jogadinho/Você, carinho e amor (1961)
Balada de Bat Masterson/Greenfields (1961)
Yellow bird/Bo bo bom (1961)
Moendo café/A tuba do vovô (1961)
Waldirizando (1961)
Dois abraços/Pepito (1962)
Rancho das flores/Saudade da serra (1962)
Tico-tico no fubá/A nega se vingou (1962)
Suave é a noite/Café a la italiana (1962)
Dois bicudos não se beijam. Poly e Waldir Azevedo (1962)
Esperanza/Na cadência do samba (1963)
Telstar/O passo do elefantinho (1963)
Pois não/Meu prelúdio (1963)
Longe de você (1963)
Delicado (1967)
Melodia do céu (1975)
Minhas mãos, meu cavaquinho (1976)
Waldir Azevedo (1977)
Lamento de um cavaquinho (1978)
Waldir Azevedo ao vivo (1979)
Delicado (1995)
Dois bicudos não se beijam (1995)
Meus momentos (1996)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

"ELIZETH CARDOSO"


Elizeth Moreira Cardoso (Rio de Janeiro, 16 de julho de 1920 — 7 de maio de 1990)
foi uma cantora brasileira.
Elizeth, A Divina, é considerada como uma das maiores intérpretes da canção brasileira e um das mais talentosas cantoras de todos os tempos,
reverenciada pelo público e pela crítica.
Nasceu na rua Ceará, no subúrbio de São Francisco Xavier, e cantava desde pequena pelos bairros da Zona Norte carioca, cobrando ingresso (10 tostões) das outras crianças para ouvi-la cantar os sucessos de Vicente Celestino.
O pai, seresteiro, tocava violão e a mãe gostava de cantar.

Desde cedo precisou trabalhar e, entre 1930 e 1935, foi balconista, funcionária de uma fábrica de saponáceos e cabeleireira, até que o talento foi descoberto aos dezesseis anos, quando comemorava o aniversário. Foi então convidada para um teste
na Rádio Guanabara, pelo chorão Jacob do Bandolim.
Apesar da oposição inicial do pai, apresentou-se em 1936 no Programa Suburbano,
ao lado de Vicente Celestino, Araci de Almeida, Moreira da Silva, Noel Rosa e Marília Batista. Na semana seguinte foi contratada para um programa semanal na rádio.
Casou-se no fim de 1939 com Ari Valdez, mas o casamento durou pouco.
Trabalhou em boates como taxi-girl, atividade que exerceria por muito tempo.
Em 1941, tornou-se crooner de orquestras, chegando a ser uma das atrações do Dancing Avenida, que deixou em 1945, quando se mudou para São Paulo para cantar no Salão Verde e para apresentar-se na Rádio Cruzeiro do Sul,
no programa Pescando Humoristas.
Além do choro, Elizeth consagrou-se como uma das grandes intérpretes do gênero samba-canção (surgido na década de 1930), ao lado de Maysa Monjardim, Nora Ney, Dalva de Oliveira, Ângela Maria e Dolores Duran. O gênero, comparado ao bolero, pela exaltação do tema amor-romântico ou pelo sofrimento de um amor não realizado, foi chamado também de dor-de-cotovelo ou fossa. O samba canção antecedeu o movimento da bossa nova (surgido ao final da década de 1950, 1957), com o qual Maysa já foi identificada. Mas este último representou um refinamento e uma maior leveza nas melodias e interpretações em detrimento do drama e das melodias ressentidas,
da dor-de-cotovelo e da melancolia.
Elizeth migrou do choro para o samba-canção e deste para a bossa nova gravando em 1958 o LP Canção do Amor Demais,considerado axial para a inauguração deste movimento, surgido em 1957. O antológico LP trazia ainda, também da autoria de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, Chega de saudade, Luciana, Estrada branca, Outra vez.
A melodia ao fundo foi composta com a participação de um jovem baiano que tocava o violão de maneira original, inédita: o jovem João Gilberto.

Anos 1960

Nos anos 1960 apresentou o programa de televisão Bossaudade
(TV Record, Canal 7, São Paulo). Em 1968 apresentou-se num espetáculo que foi considerado o ápice da carreira, com Jacob do Bandolim, Época de Ouro e Zimbo Trio, no Teatro João Caetano, em benefício do Museu da Imagem e do Som (MIS) (Rio de Janeiro). Considerado um encontro histórico da música popular brasileira, no qual foram ovacionados pela platéia; long-plays (Lps) foram lançados em edição limitada pelo MIS. Em abril de 1965 conquistou o segundo lugar na estréia do I Festival de Música Popular Brasileira (TV Record) interpretando Valsa do amor que não vem (Baden Powell e Vinícius de Moraes); o primeiro lugar foi da novata Elis Regina, com Arrastão. Serviu também de influência para vários cantores que viriam depois, sendo uma das principais a cantora Maysa Monjardim.

Apelidos

Teve vários apelidos como A Noiva do Samba-Canção, Lady do Samba, Machado de Assis da Seresta, Mulata Maior, A Magnífica (apelido dado por Mister Eco) e a Enluarada (por Hermínio Bello de Carvalho). Nenhum desses títulos, porém, se iguala ao que foi consagrado por Haroldo Costa –- A Divina --
que a marcou para o público e para o meio artístico.
Elizeth Cardoso lançou mais de 40 LPs no Brasil e gravou vários outros em Portugal, Venezuela, Uruguai, Argentina e México.
ELizeth Cardoso morreu aos 69 anos, vítima de câncer.

Discografia

Álbuns de estúdio e compilações

(1955) Canções à Meia Luz
(1956) Fim de Noite
(1957) Noturno
(1958) Retrato da Noite
(1958) Canção do Amor Demais
(1958) Naturalmente
(1959) Magnífica
(1960) Sax Voz
(1960) A Meiga Elizeth
(1961) Sax Voz nº 2
(1962) A Meiga Elizeth nº 2
(1963) A Meiga Elizeth nº 3
(1963) Elizeth Interpreta Vinícius
(1963) A Meiga Elizeth nº 4
(1963) Elizeth Canta Seus Maiores Sucessos
(1963) Grandes Momentos com Elizeth Cardoso
(1964) A Meiga Elizeth nº 5
(1965) Quatrocentos anos de samba
(1965) Elizeth sobe o morro
(1966) Muito Elizeth
(1966) A bossa eterna de Elizeth e Cyro – Elizeth Cardoso e Cyro Monteiro
(1967) A enluarada Elizeth
(1968) Ao vivo no Teatro João Caetano - Elizeth Cardoso, Zimbo Trio e Jacob do Bandolim - Vol. I e II
(1968) Momento de Amor
(1969) Elizeth e Zimbo Trio na Sucata
(1970) Elizeth no Bola Preta com a Banda do Sodré
(1970) Falou e disse
(1970) É de manhã - Elizeth Cardoso e Zimbo Trio
(1970) Elizeth, a exclusiva
(1970) A bossa eterna de Elizeth e Ciro - Nº 2 - Elizeth Cardoso e Cyro Monteiro
(1971) Elizeth Cardoso
(1971) Elizeth Cardoso - Disco de ouro
(1971) Elizeth Cardoso e Silvio Caldas
(1971) Elizeth Cardoso e Silvio Caldas - Vol. II
(1972) Preciso Aprender A Ser Só
(1972) Elizeth Cardoso
(1974) Edição histórica - VOL. 3
(1974) Elizeth / Feito em Casa
(1974) Mulata Maior
(1975) Bossaudade - A bossa eterna
(1975) Elizeth Cardoso
(1976) Elizeth Cardoso
(1977) Elizeth Cardoso, Jacob do Bandolim, Zimbo Trio e Época de Ouro
(1978) A Cantadeira do Amor
(1978) Live in Japan
(1979) O Inverno do meu Tempo
(1980) Elizeth Cardoso nº 1
(1980) Elizeth Cardoso nº 2
(1980) Elizeth Cardoso nº 3
(1981) Elizethíssima
(1982) Outra vez Elizeth
(1982) Recital
(1983) Elizeth - Uma rosa para Pixinguinha
(1984) Leva meu Samba - Elizeth Cardoso e Ataulfo Júnior
(1986) Luz e Esplendor
(1989) Elizeth Cardoso
(1989) Elizeth Cardoso - Jacob do Bandolim - Zimbo Trio e Conj. Época de Ouro
(1991) Todo Sentimento
(1991) Ary Amoroso

"NOEL ROSA"


Noel de Medeiros Rosa (Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 1910 —
Rio de Janeiro, 4 de maio de 1937) foi um sambista, cantor, compositor, bandolinista, violonista brasileiro e um dos maiores e mais importantes artistas da música no Brasil.Teve contribuição fundamental na legitimação do samba de morro e no "asfalto", ou seja, entre a classe média e o rádio, principal meio de comunicação em sua época - fato de grande importância, não só o samba, mas a história da música popular brasileira.
Noel Rosa nasceu de um parto muito difícil para sua mãe, em que o uso do fórceps pelo médico causou-lhe um afundamento da mandíbula que o marcou pela vida toda. Criado no bairro carioca de Vila Isabel, primeiro filho do comerciante Manuel Garcia de Medeiros Rosa da professora Martha de Medeiros Rosa, Noel era de família de classe média, tendo estudado no tradicional Colégio São Bento.
Adolescente, aprendeu a tocar bandolim de ouvido e tomou gosto pela música — e pela atenção que ela lhe proporcionava. Logo, passou ao violão e cedo tornou-se figura conhecida da boemia carioca. Entrou para a Faculdade de Medicina, mas logo o projeto de estudar mostrou-se pouco atraente diante da vida de artista, em meio ao samba e noitadas regadas à cerveja. Noel foi integrante de vários grupos musicais, entre eles o Bando de Tangarás, ao lado de João de Barro (o Braguinha), Almirante, Alvinho e Henrique Brito.

Em 1929, Noel arriscou as suas primeiras composições, Minha Viola e Toada do Céu, ambas gravadas por ele mesmo. Mas foi em 1930 que o sucesso chegou, com o lançamento de Com que roupa?, um samba bem-humorado que sobreviveu décadas e hoje é um clássico do cancioneiro brasileiro. Essa música ele se inspirou quando ia sair com os amigos, a mãe não deixou e escondeu suas roupas, ele, com pressa perguntou: "Com que roupa eu vou?" Noel revelou-se um talentoso cronista do cotidiano, com uma sequência de canções que primam pelo humor e pela veia crítica. Orestes Barbosa, exímio poeta da canção, seu parceiro em Positivismo, o considerava o "rei das letras". Noel também foi protagonista de uma curiosa polêmica travada através de canções com seu rival Wilson Batista. Os dois compositores atacaram-se mutuamente em sambas agressivos e bem-humorados, que renderam bons frutos para a música brasileira, incluindo clássicos de Noel como Feitiço da Vila e Palpite Infeliz. Entre os intérpretes que passaram a cantar seus sambas, destacam-se Mário Reis, Francisco Alves e
Aracy de Almeida.
Noel teve ao mesmo tempo várias namoradas e foi amante de muitas mulheres casadas. Casou-se em 1934 com Lindaura, mas era apaixonado mesmo por Ceci, a prostituta do cabaré, sua amante de longa data. Era tão apaixonado por ela, que ele escreveu e fez sucesso com a música "Dama do Cabaré", inspirada em Ceci, que mesmo na vida fácil, era uma dama ao se vestir e ao se comportar com os homens, e o deixou totalmente enlouquecido pela sua beleza. Foram anos de caso com ela, eles se encontravam no cabaré a noite e passeavam juntos, bebiam, fumavam, andavam principalmente pelo bairro carioca da Lapa, onde se localizava o cabaré. Ele dava-lhe presentes, joias, perfumes, ela o compensava com noites inesquecíveis de amor. Noel passou os anos seguintes travando uma batalha contra a tuberculose. A vida boêmia, porém, nunca deixou de ser um atrativo irresistível para o artista, que entre viagens para cidades mais altas em função do clima mais puro, sempre voltava para o samba, a bebida e o cigarro, nas noites cariocas, cercado de muitas mulheres, a maioria, suas amantes. Mudou-se com a esposa para Belo Horizonte, lá, Lindaura engravidou, mas sofreu um aborto, e não pôde mais ter filhos, por isso Noel não foi pai, trabalhou na Rádio Mineira e entrou em contato com compositores amigos da noite, como Rômulo Pais, recaindo sempre na boêmia. De volta ao Rio, jurou estar curado.
Faleceu em sua casa no bairro de Vila Isabel no ano de 1937, aos 26 anos,
em consequência da doença que o perseguia desde sempre.
Deixou Lindaura viúva e não foi pai de nenhum filho.
Lindaura e dona Martha cuidaram dele até o fim.

Obras:
Foram mais de trezentas composições criadas por Noel:


Ingênua (com Glauco Viana), 1928/1930
Com que roupa? 1929
Festa no céu 1929
Minha viola 1929
A.B. Surdo, (com Lamartine Babo) 1930
Bom elemento, (com Euclides Silveira, o Quidinho) 1930
Devo esquecer (com Gilberto Martins), 1930
Dona Aracy 1930
Dona Emília, (com Glauco Vianna) 1930
Eu vou pra vila 1930
Gago apaixonado, 1930
Lataria (com João de Barro e Almirante), 1930
Malando medroso 1930
Meu sofrer (com Henrique Britto), 1930
Quem dá mais (Leilão do Brasil) 1930
Sorriso de criança 1930
Vou te ripar 1930
Adeus (com Ismael Silva e Francisco Alves), 1931
A.E.I.O.U. (com Lamartine Babo), 1931
Agora 1931
Coração 1931
Cordiais saudações 1931
É preciso discutir 1931
Espera mais um ano 1931
Esquecer e perdoar (com Canuto), 1931
Estátua da paciência (com Jerônimo Cabral), 1931
Eu agora fiquei mal (com Antenor Gargalhada), 1931
Fiquei sozinha (com Adauto Costa), 1931
Gosto, mas não é muito (com Ismael Silva e Francisco Alves), 1931
Já não posso mais (com Pururuca, Canuto e Almirante), 1931
Julieta (com Eratóstenes Frazão), 1931
Mão no remo (com Ary Barroso), 1931
Mardade de cabocla 1931
Mentiras de mulher 1931
Mulata fuzarqueira, 1931
Mulato bamba (Mulato forte) 1931
Nega, (com Lamartine Babo) 1931
Nunca... Jamais 1931
Palpite (com Eduardo Souto), 1931
Pesado 13 (paródia do tango El penado, de Agustin Magaldi, Pedro Noda e Carlos Pesce), 1931
Picilone 1931
Por causa da hora 1931
Por esta vez passa 1931
O pulo da hora 1931
Que se dane (com Jota Machado), 1931
Rumba da meia-noite (com Henrique Vogeler), 1931
O samba da boa vontade (com João de Barro), 1931
Sinhá Ritinha, (com Moacir Pinto Ferreira) 1931
Só pra contrariar (com Manoel Ferreira), 1931
Você foi o meu azar (com Arthur Costa), 1931
Ando cismado (com Ismael Silva), 1932
Araruta (com Orestes Barbosa), 1932
Assim sim (com Ismael Silva e Francisco Alves), 1932
Até amanhã 1932
Dona do lugar (com Ismael Silva e Francisco Alves), 1932
E não brinca não (Não brinca não) 1932
É peso (com Ismael Silva), 1932
Escola de malandro (com Orlando Luiz Machado e Ismael Silva), 1932
Estamos esperando 1932
Felicidade (com René Bittencourt), 1932
Fita amarela 1932
Fui louco (com Alcebíades Barcelos, o Bide), 1932
Mas como... Outra vez? (com Francisco Alves), 1932
Mentir (Mentira necessária) 1932
Mulher indigesta 1932
Não faz, amor (com Cartola), 1932
Não há castigo (com Ernesto dos Santos, o Donga), 1932
Não me deixam comer 1932
Nuvem que passou 1932
Para me livrar do mal (com Ismael Silva), 1932
Prazer em conhecê-lo (com Custódio Mesquita), 1932
Primeiro amor (com Ernani Silva), 1932
Qual foi o mal que eu te fiz? (com Cartola), 1932
Quem não dança 1932
Quero falar com você (com Lauro dos Santos, o Gradim), 1932
A razão dá-se a quem tem (com Ismael Silva e Francisco Alves), 1932
Rir (com Cartola), 1932
São coisas nossas (Coisas nossas) 1932
Sem tostão 1932
Seu Jacinto 1932
Tenentes do diabo (com Visconde de Bicohyba e Henrique Vogeler), 1932
Tenho um novo amor (com Cartola), 1932
Tudo o que você diz 1932
Uma jura que fiz (com Ismael Silva e Francisco Alves), 1932
Vitória (com Romualdo Peixoto, o Nonô), 1932
Amor de parceria 1933
Arranjei um fraseado 1933
Capricho de rapaz solteiro 1933
Contraste 1933
Cor de cinza 1933
De qualquer maneira (com Ary Barroso), 1933
Deus sabe o que faz (com Ismael Silva e Francisco Alves), 1933
Dono do meu nariz (paródia de Dona da minha vontade, de Francisco Alves e Orestes Barbosa), 1933
Estrela da manhã (com Ary Barroso), 1933
Esquina da vida (com Francisco de Queirós), 1933
Eu queria um retratinho de você (com Lamartine Babo), 1933
Feitio de oração (com Osvaldo Gogliano, o Vadico), 1933
Filosofia (com André Filho), 1933
Habeas-corpus (com Orestes Barbosa), 1933
Isso não se faz (com Ismael Silva e Francisco Alves), 1933
Já sei que tens um novo amor (com Ismael Silva e Francisco Alves), 1933
Meu barracão 1933
Não digas (com Ismael Silva e Francisco Alves), 1933
Não tem tradução (Cinema falado) 1933
Nem com uma flor (com Francisco Alves), 1933
Nunca dei a perceber (com Ismael Silva e Francisco Alves), 1933
Onde está a honestidade? (com Francisco Alves), 1933
O orvalho vem caindo (com Kid Pepe), 1933
Positivismo (com Orestes Barbosa), 1933
Pra esquecer 1933
Prato fundo (com João de Barro, o Braguinha), 1933
Quando o samba acabou 1933
Quem não quer sou eu (com Ismael Silva), 1933
Rapaz folgado 1933
Sei que vou perder (com Romualdo Peixoto, o Nonô e Alfredo Lopes Quintas), 1933
Seja breve 1933
O sol nasceu pra todos (com Lamartine Babo), 1933
Sorrindo sempre (com Lauro dos Santos, o Gradim, Ismael Silva e Francisco Alves), 1933
Três apitos 1933
Vai haver barulho no chatô (com Walfrido Silva), 1933
Vai para a casa depressa (cara ou coroa) (com Francisco Mattoso),1933
Vejo amanhecer (com Francisco Alves), 1933
Você, por exemplo (com Francisco Alves), 1933
Você só... mente (com Hélio Rosa), 1933
Boa viagem (com Ismael Silva), 1934
Dama do cabaré 1934
Feitiço da Vila (com Osvaldo Gogliano, o Vadico), 1934
Fiquei rachando lenha (com Hervê Cordovil), 1934
Linda pequena (com João de Barro), 1934
O maior castigo que te dou 1934
Mais um samba popular (com Osvaldo Gogliano, o Vadico), 1934
Marcha da prima... Vera 1934
A melhor do planeta (com Henrique Foreis Domingues, o Almirante), 1934
Paga-me esta noite (paródia de Tell me tonight, de Mischa Spoliansky)1934
As pastorinhas (com João de Barro), 1934
Remorso 1934
Retiro da saudade (com Antonio Nássara), 1934
Se a sorte me ajudar (com Germano Augusto Coelho), 1934
O século do progresso 1934
Tenho raiva de quem sabe (com Zé Pretinho e Kid Pepe), 1934
Tipo zero 1934
Triste cuíca (com Hervê Cordovil), 1934
Você é um colosso 1934
Voltaste pro subúrbio 1934
Vou te ripar 2 1934
Ao meu amigo Edgard (carta de Noel) (com João Nogueira), 1935-1978
Belo Horizonte (paródia de I'm looking over a four leaf clover, de Mort Dixon e Harry Woods), 1935
Boas tenções (com Arnold Glückmann), 1935
Canção do galo capão (paródia de Canção do grande galo, de Lamartine Babo e Paulo Barbosa), 1935
Cansei de pedir 1935
Cansei de implorar 1935
Condeno o teu nervoso (paródia de Teus ciúmes, de Lacy Martins e Aldo Cabral), 1935
Conversa de botequim (com Oswaldo Gogliano, o Vadico), 1935
Cor de leite com café (com Hamilton Sbarra), 1935-1969
Deixa de ser convencida (com Wilson Baptista), 1935
Disse-me disse 1935
Envio essas mal traçadas linhas (paródia de Cordiais saudações), 1935
Finaleto (com Arnold Glückmann), 1935
Foi ele (paródia de Foi ela, de Ary Barroso), 1935
Genoveva não sabe o que diz (paródia de Palpite infeliz), 1935
João Ninguém 1935
O Joaquim é condutor (com Arnold Glückmann), 1935
Não foi por amor (com Zé Pretinho e Germano Augusto Coelho), 1935
Não resta a menor dúvida (com Hervê Cordovil), 1935
Palpite infeliz 1935
Para o bem de todos nós (com Arnold Glückmann), 1935
Pela décima vez 1935
Perdoa este pecador (com Arnold Glückmann), 1935
Pierrô apaixonado (com Heitor dos Prazeres), 1935
Precaução inútil (paródia de Boneca, de Aldo Cabral e Benedito Lacerda), 1935
Quantos beijos (com Oswaldo Gogliano, o Vadico), 1935
Que baixo! (com Antônio Nássara), 1935
O que é que você fazia? (com Hervê Cordovil), 1935
Roubou, mas não leva (paródia de Pagou, mas não leva, de Benedito Lacerda e Milton Amaral), 1935
Seu Zé (paródia de Boneca, de Aldo Cabral e Benedito Lacerda), 1935
Silêncio de um minuto 1935
Só pode ser você (ilustre visita) (com Oswaldo Gogliano, o Vadico), 1935
Tudo nos une (com Arnold Glückmann), 1935
Tudo pelo teu amor (com Arnold Glückmann), 1935
Cem mil réis (com Oswaldo Gogliano, o Vadico), 1936
Cidade mulher 1936
Dama do cabaré 1936
De babado (com João Mina), 1936
É bom parar (com Rubens Soares), 1936
Este meio não serve (com Ernesto dos Santos, o Donga), 1936
Maria-fumaça 1936
Menina dos meus olhos (com Lamartine Babo), 1936
Morena-sereia (com José Maria de Abreu), 1936
Na Bahia (com José Maria de Abreu), 1936
Pela primeira vez (com Critóvão de Alencar), 1936
Provei (com Oswaldo Gogliano, o Vadico), 1936
Quem ri melhor 1936
São coisas nossas 1936
Sobe balão (com Marília Baptista), 1936-1961
Tarzan, o filho do alfaiate (com Oswaldo Gogliano, o Vadico), 1936
Você vai se quiser 1936
O x do problema 1936
Chuva de vento 1937
Eu sei sofrer 1937
Pra que mentir (com Oswaldo Gogliano, o Vadico), 1937
Último desejo 1937
Você por exemplo 1937
Amar com sinceridade (com Sylvio Pinto), 193?
Baianinha 193?
Cabrocha do Rocha (com Sílvio Caldas), 193?
Com mulher não quero mais nada (com Sylvio Pinto), 193?
Faz de conta que eu morri (com Henrique Gonçales), 193?
Faz três semana (paródia de Suçuarana, de Heckel Tavares e Luís Peixoto), 193?
João-teimoso (com Marília Baptista), 193?
Não morre tão cedo 193?
No baile da flor-de-lis 193?
Para atender a pedido 193?
Queimei teu retrato (com Henrique Britto), 193?
Saí da tua alcova 193?
Suspiro (com Orestes Barbosa), 193?

"ARY BARROSO"


Ary de Resende Barroso(Ubá, 7 de novembro de 1903 — Rio de Janeiro,
9 de fevereiro de 1964) foi um compositor brasileiro de música popular.
Filho do deputado estadual e promotor público João Evangelista Barroso e Angelina de Resende. Aos oito anos, órfão de pai e mãe, Ary foi adotado pela avó materna, Gabriela Augusta de Resende.
Realizou estudos curriculares na Escola Pública Guido Solero, Externato Mineiro do prof. Cícero Galindo, Ginásios: São José, Rio Branco, de Viçosa,
de Leopoldina e de Cataguases.
Estudou teoria, solfejo e piano com a tia Ritinha. Com doze anos já trabalhava como pianista auxiliar no Cinema Ideal, em Ubá. Aos treze anos trabalhou como caixeiro da loja "A Brasileira" e com quinze anos fez a primeira composição,
um cateretê "De longe".
Em 1920, com o falecimento do tio Sabino Barroso, ex-ministro da Fazenda, recebeu uma herança de 40 contos (milhões de reis). Então, aos 17 anos veio ao Rio de Janeiro estudar Direito, ali permanecendo sob a tutela do Dr. Carlos Peixoto.
Aprovado no vestibular, ingressa em 1921 na então Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, atual Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A Faculdade seria importante na consolidação da veia artística, esportiva e política. Quando calouro, foram colegas de Faculdade mais chegados: Luís Galotti (jurista, dirigente esportivo e posteriormente ministro do STF), João Lira Filho (jurista e professor), Gastão Soares de Moura Filho (dirigente esportivo), João Martins de Oliveira, Nonato Cruz, Odilon de Azevedo (ator), Taques Horta, Anésio Frota Aguiar (jurista, político e escritor).
Adepto da boemia, é reprovado na Faculdade, abandonando os estudos no segundo ano. Suas economias exauriram o que o fez empregar-se como pianista no Cinema Íris, no Largo da Carioca e, mais tarde, na sala de espera do Teatro Carlos Gomes com a orquestra do maestro Sebastião Cirino. Tocou ainda em muitas outra orquestras.
Em 1926 retoma os estudos de Direito, sem deixar a atividade de pianista. Dois anos depois é contratado pela orquestra do maestro Spina, de São Paulo, para uma temporada em Santos e Poços de Caldas. Nessa época, Ary resolve dedicar-se à composição. Compõe "Amor de mulato", "Cachorro quente" e "Oh! Nina", em parceria com Lamartine Babo, seu contemporâneo na Faculdade de Direito.

Em 1929 obtém, finalmente, o bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais. Seu colega de Faculdade e grande incentivador, Mário Reis, grava "Vou a Penha" e "Vamos deixar de intimidades", que se tornou o primeiro sucesso popular.
Nos anos 1930, escreveu as primeiras composições para o teatro musicado carioca. Aquarela do Brasil teve a primeira audição na voz de Aracy Cortes e regravada diversas vezes no Brasil e no exterior. Recebeu o diploma da Academia de Ciências e Arte Cinematográfica de Hollywood pela trilha sonora do longa-metragem Você já foi à Bahia? (1944), de Walt Disney.
A partir de 1943, manteve durante vários anos o programa A hora do calouro, na Rádio Cruzeiro do Sul do Rio de Janeiro, no qual revelou e incentivou novos talentos musicais. Também trabalhou como locutor esportivo (proporcionado momentos inusitados ao sair para comemorar os gols do seu time o CR Flamengo). Autor de centenas de composições em estilos variados, como choro, xote, marcha, foxtrote e samba. Entre outras canções, compôs Tabuleiro da baiana (1937) e Os Quindins de Yayá (1941), Boneca de piche, etc.
Durante os a década de 1940 e a década de 1950 compôs vários dos sucessos consagrados por Carmen Miranda no cinema. Ao compor Aquarela do Brasil inaugurou o gênero samba-exaltação.
No centenário do compositor Ary Barroso (2003), a Rede STV SESC SENAC foi a única a produzir um documentário especial de 60 minutos sobre a vida deste brasileiro único, intitulado "O Brasil Brasileiro de Ary Barroso", com depoimentos de Sérgio Cabral (Biógrafo), Dalila Luciano, Carminha Mascarenhas, Carmélia Alves, Roberto Luna, e a filha de Ary Barroso, Mariúza . A direção foi de Dimas Oliveira Junior e produção de WeDo Comunicação.
Ary Barroso também era locutor esportivo. Torcedor confesso do Flamengo, torcia descaradamente a favor do rubro-negro nas transmissões que eram feitas pelo rádio. Quando o Flamengo era atacado, ele dizia mensagens do tipo:"Ih, lá vem os inimigos. Eu não quero nem olhar.", se recusando claramente a narrar o gol do adversário. Quando o embate era realizado entre equipes que não fossem o Flamengo, sempre que saía um gol, primeiro ele narrava, e depois tocava uma gaita.

"PIXINGUINHA"


Alfredo da Rocha Viana Filho, conhecido como Pixinguinha, (Rio de Janeiro, 23 de abril de 1897 — Rio de Janeiro, 17 de fevereiro de 1973) foi um flautista, saxofonista, compositor, e arranjador brasileiro.
Pixinguinha é considerado um dos maiores compositores da música popular brasileira, contribuiu diretamente para que o choro encontrasse uma forma musical definitiva.
Era filho do músico Alfredo da Rocha Viana, funcionário dos correios, flautista e que possuía uma grande coleção de partituras de choros antigos.Pixinguinha aprendeu música em casa, fazendo parte de uma família com vários irmãos músicos, entre eles o China (Otávio Viana). Foi ele quem obteve o primeiro emprego para o garoto, que começou a atuar em 1912 em cabarés da Lapa e depois substituiu o flautista titular na orquestra da sala de projeção do Cine Rio Branco. Nos anos seguintes continuou atuando em salas de cinema, ranchos carnavalescos, casas noturnas e no teatro de revista.

Pixinguinha integrou o famoso grupo Caxangá, com Donga e João Pernambuco. A partir deste grupo, foi formado o conjunto Oito batutas, muito ativo a partir de 1919. Na década de 1930 foi contratado como arranjador pela gravadora RCA Victor, criando arranjos celebrizados na voz de cantores como Francisco Alves ou Mário Reis. No fim da década foi substituído na função por Radamés Gnattali. Na década de 1940 passou a integrar o regional de Benedito Lacerda, passando a tocar o saxofone tenor. Algumas de suas principais obras foram registradas em parceria com o líder do conjunto, mas hoje se sabe que Benedito Lacerda não era o compositor, mas pagava pelas parcerias.

Quando compôs "Carinhoso", entre 1916 e 1917 e "Lamentos" em 1928, que são considerados alguns dos choros mais famosos, Pixinguinha foi criticado e essas composições foram consideradas como tendo uma inaceitável influência do jazz, enquanto hoje em dia podem ser vistas como avançadas demais para a época. Além disso, "Carinhoso" na época não foi considerado choro, e sim uma polca.
Outras composições, entre centenas, são "Rosa", "Vou vivendo", "Lamentos",
"1 x 0", "Naquele tempo" e "Sofres porque Queres".

No dia 23 de abril comemora-se o Dia Nacional do Choro, trata-se de uma homenagem ao nascimento de Pixinguinha. A data foi criada oficialmente em 4 de setembro de 2000, quando foi sancionada lei originada por iniciativa do bandolinista Hamilton de Holanda e seus alunos da Escola de Choro Raphael Rabello.

Pixinguinha faleceu na igreja de Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, quando seria padrinho de um batizado. Foi enterrado no Cemitério de Inhaúma.

Composições

A pombinha (com Donga)
A vida é um buraco
Abraçando Jacaré
Aguenta, seu Fulgêncio (com Lourenço Lamartine)
Ai, eu queria (com Vidraça)
Ainda existe
Ainda me Recordo
Amigo do povo
Assim é que é
Benguelê
Bianca (com Andreoni)
Buquê de flores (com W. Falcão)
Cafezal em flor (com Eugênio Fonseca)
Carinhos
Carinhoso (com João de Barro)
Carnavá tá aí (com Josué de Barros)
Casado na orgia (com João da Baiana)
Casamento do coronel Cristino
Céu do Brasil (com Gomes Filho)
Chorei
Chorinho no parque São Jorge (com Salgado Filho)
Cochichando (com João de Barro e Alberto Ribeiro)
Conversa de crioulo (com Donga e João de Baiana)
Dança dos ursos
Dando topada
Desprezado
Displicente
Dominante
Dominó
Encantadora
Estou voltando
Eu sou gozado assim
Fala baixinho (com Hermínio Bello de Carvalho)
Festa de branco (com Baiano)
Foi muamba (com Índio)
Fonte abandonada (com Índio)
Fraternidade
Gargalhada
Gavião calçudo (com Cícero de Almeida)
Glória
Guiomar (com Baiano)
Há! hu! lá! ho! (com Donga e João da Baiana)
Harmonia das flores (com Hermínio Bello de Carvalho)
Hino a Ramos
Infantil
Iolanda
Isso é que é viver (com Hermínio Bello de Carvalho)
Isto não se faz (com Hermínio Bello de Carvalho)
Já andei (com Donga e João da Baiana)
Já te digo (com China)
Jardim de Ilara (com C. M. Costal)
Knock-out
Lamento
Lamentos (com Vinícius de Moraes)
Lá-ré
Leonor
Levante, meu nego
Lusitânia (com F. G. D. )
Mais quinze dias
Mama, meu netinho (com Jararaca)
Mamãe Isabé (com João da Baiana)
Marreco quer água
Meu coração não te quer (com E. Almeida)
Mi tristezas solo iloro
Mulata baiana (com Gastão Viana)
Mulher boêmia
Mundo melhor (com Vinícius de Moraes)
Não gostei dos teus olhos (com João da Baiana)
Não posso mais
Naquele tempo
Nasci pra domador (com Valfrido Silva)
No elevador
Noite e dia (com W. Falcão)
Nostalgia ao luar
Número um
O meu conselho
Os batutas (com Duque)
Os cinco companheiros
Os home implica comigo (com Carmen Miranda)
Onde foi Isabé
Oscarina
Paciente
Página de dor (com Índio)
Papagaio sabido (com C. Araújo)
Patrão, prenda seu gado (com Donga e João da Baiana)
Pé de mulata
Poema de raça (com Z. Reis e Benedito Lacerda)
Poética
Por vôce fiz o que pude (com Beltrão)
Pretensiosa
Promessa
Que perigo
Que querê (com Donga e João da Baiana)
Quem foi que disse
Raiado (com Gastão Viana)
Rancho abandonado (com Índio)
Recordando
Rosa (com Otávio de Sousa)
Rosa
Samba de fato (com Baiano)
Samba de nego
Samba do urubu
Samba fúnebre (com Vinícius de Moraes)
Samba na areia
Sapequinha
Saudade do cavaquinho (com Muraro)
Seresteiro
Sofres porque queres
Solidão
Sonho da Índia (com N. N. e Duque)
Stella (com de Castro e Sousa)
Teu aniversário
Teus ciúmes
Triangular
Tristezas não pagam dívidas
Um a zero (com Benedito Lacerda)
Um caso perdido
Uma festa de Nanã (com Gastão Viana) * Urubu
Vamos brincar
Variações sobre o urubu e o gavião
Vem cá! não vou!
Vi o pombo gemê (com Donga e João da Baiana)
Você é bamba (com Baiano)
Você não deve beber (com Manuel Ribeiro)
Vou pra casa
Xou Kuringa (com Donga e João da Baiana)
Yaô africano (com Gastão Viana)
Zé Barbino (com Jararaca)
Proezas de Solon
Vou Vivendo

sábado, 17 de julho de 2010

" BETINHO E SEU CONJUNTO "


Betinho & Seu Conjunto foi um grupo musical formado no início dos anos de 1950 pelo guitarrista, compositor e cantor Alberto Borges de Barros,
o Betinho, e foi pioneiro no rock'n'roll no Brasil.
O grupo era eclético e tocava jazz, calipso, baião, choro, rock'n'roll,
fox, música cubana, entre outros. Os músicos que acompanhavam Betinho eram; Renatinho (acordeão), Salinas (piano), Navajas (contrabaixo),
Bolão (sax) e Pirituba e Rafael (percussões/baterias).
Além de donos de uma impecável técnica musical e modernos,
ajudaram à abrir as portas para novos estilos e movimentos da
música brasileira como a jovem guarda.
Filho de Josué de Barros, quem descobriu Carmen Miranda, Betinho chegou à acompanhar a cantora ao violão, ao lado do pai quando era adolecente. Betinho, na época que integrava orquestras de jazz onde se apresentava na Argentina, compôs sucessos como Fel, Abandono, Moral da História, O Vendedor de Laranjas e Parte. Entre 1941 e 1946 foi solista da orquestra de Carlos Machado, em Rio de Janeiro e Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Betinho com sua Fender Stratocaster e Seu Conjunto foi responsável pelo primeiro rock'n'roll com guitarra gravado no Brasil com a clássica Enrolando O Rock de 1957.
Betinho & Seu Conjunto foi um dos maiores conjuntos de boate de São Paulo, eleito o melhor em 1957. As primeiras canções do grupo são em 1953 com, 78 RPM Baião e Sobremesa, Betinho no Choro, Batuca Jojo, entre outros. Em 1954 lança o fox Neurastênico, um dos clássicos mais conhecidos do grupo. A fase rock'n'roll chega em 1957 com Enrolando o Rock e o LP Rock & Calypso em 1958. Lança mais clássicos no fim dos anos de 1950 e primeira metade dos anos de 1960.
Em meados da década de 1960, Betinho vira pastor e compositor de músicas religiosas, mais no estilo rock-balada, e talvez o primeiro guitarrista evangélico do Brasil.

Discografia Compactos 78 RPM:

Copacabana 5052 - 1953 - Baião e Sobremesa / Betinho no Choro
Copacabana 5100 - 1953 - Batuca Jojo / Baianinho
Copacabana 5160 - 1953 - Lig Le no Baião / Ralando Coco
Copacabana 5198 - 1953 - Corridinho 1951 / Burrinho Garboso
Copacabana 5286 - 1954 - Neurastênico / Burrinho Leiteiro
Copacabana 5401 - 1955 - Johnny Apaixonado / O Califa no Mambo
Copacabana 5478 - 1955 - Violão Borocochô / A Polca do Véio
Copacabana 5509 - 1955 - Casa da Vizinha / Não Caio Noutra
Copacabana 5764 - 1957 - Enrolando o Rock / Cha Cha Cura
Copacabana 5871 - 1958 - Loucamente (Little Darling) / Se Ela Vier
Copacabana 5945 - 1958 - Baby Lover / Peanuts
Copacabana 6050 - 1959 - Quero Beijar-te as Mãos / A Lágrima Rolou
Copacabana 6111 - 1960 - Limelight / Aquarela do Brasil
Copacabana 6171 - 1961 - Theme From a Summer Place / Love Is a Many Splendoured Thing

Álbuns

Rock & Calypso(1958)
Betinho e Seu Conjunto Dançante # 1 (?)
'Betinho, Twist e Bossa Nova (1963).

sábado, 1 de maio de 2010

" ADEMILDE FONSECA "


Ademilde Fonseca Delfino (Pirituba, São Gonçalo do Amarante, 4 de março de 1921)
é uma cantora brasileira. Suas interpretações a consagraram como a maior intérprete do choro cantado, sendo considerada a "Rainha do choro".Trabalhou por mais de dez anos na TV Tupi e seus discos renderam mais de meio milhão de cópias.
Além de fazer sucesso em terras nacionais, regravou grandes sucessos internacionais e se apresentou em outros países.Atualmente ainda faz shows.





Discografia

1942 - Tico-Tico no Fubá/Volte pro morro - Columbia
1942 - Altiva América/Racionamento - Columbia
1942 - Apanhei-te cavaquinho/Urubu malandro - Columbia
1944 - Brinque a vontade!…/Os narigudos - Continental
1944 - Dinorá/É de amargar - Continental
1945 - O que vier eu traço/Xem-em-ém - Continental
1945 - Rato, rato/História difícil - Continental
1946 - Estava quase adormecendo/Sonoroso - Continental
1948 - Vou me acabar/Sonhando - Continental
1950 - João Paulino/Adeus, vou-me embora - Continental
1950 - Brasileirinho/Teco-teco - Continental
1950 - Molengo/Derrubando violões - Todamérica
1950 - Vão me condenar/Não acredito - Todamérica
1951 - Delicado/Arrasta-pé - Todamérica
1951 - Galo garnizé/Pedacinhos do céu - Todamérica
1951 - Meu senhor/Minha frigideira - Todamérica
1952 - Só você/Baião em Cuba - Todamérica
1952 - Gato, gato/Doce melodia - Todamérica
1952 - Sentenciado/Liberdade - Todamérica
1953 - Vaidoso/Turista - Todamérica
1953 - Meu Cariri/Se amar é bom - Todamérica
1953 - Papel queimado/Sapatinhos - Todamérica
1953 - Uma casa brasileira/Se Deus quiser - Todamérica
1954 - Pinicadinho/Tem 20 centavos aí? - Todamérica
1954 - Qué pr'ocê?/Mar sereno - Todamérica
1954 - Dono de ninguém/Neste passo - Todamérica
1954 - A hora é essa/Amei demais - Todamérica
1955 - Rio antigo/Saliente - Todamérica
1955 - Saudades do rio/Dó-ré-mi-fá - Todamérica
1955 - Polichinelo/Na vara do trombone - Odeon
1956 - Xote do Totó/Acariciando - Odeon
1956 - A situação/Procurando você - Odeon
1957 - Teia de aranha/Té amanhã - Odeon
1957 - Falsa impressão/Telhado de vidro - Odeon
1958 - Eu vou na onda - Odeon
1958 - Rainha do mar/Cortina do meu lar - Odeon
1958 - À La Miranda - Odeon LP
1959 - Na Baixa do Sapateiro/Io (Eu) - Odeon
1959 - Voz + Ritmo = Ademilde Fonseca - Philips
1960 - Tá vendo só/Indiferença - Philips
1960 - Choros Famosos - Philips
1961 - De apito na boca/É o que ela quer - Philips
1961 - Boato/Que falem de mim - Philips
1962 - Pé de meia/Quem resolve é a mulher - Philips
1963 - Marcha do pinica/"Tô" de bobeira - Marcobira
1964 - Esquece de mim/Carnaval na lua - Serenata
1975 - Ademilde Fonseca - Top Tape
1976 - Série Ídolos MPB Nº 14 Ademilde Fonseca
1977 - A Rainha Ademilde & seus chorões maravilhosos - MIS/Copacabana
1997 - A Rainha do Choro
1998 - Ademilde Fonseca - Vol. 2
2000 - As Eternas Cantoras do Rádio - Carmélia Alves, Violeta Cavalcanti, Ademilde Fonseca e Ellen de Lima - Leblon Recors
2000 - A Música Brasileira deste século por seus autores e intérpretes - Ademilde Fonseca
2000 - Vê se gostas - Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo e Ademilde Fonseca
2000 - Chorinhos e Chorões - Vol. 2
2000 - Ademilde Fonseca - 20 Selecionadas
2001 - Café Brasil Conjunto Época de Ouro, Paulinho da Viola, Ademilde Fonseca e outros - Teldec

sexta-feira, 30 de abril de 2010

" VENTURA RAMIREZ "


Ventura Ramirez (Mombuca, 1939) é cantor, compositor e violonista brasileiro. Fez parte do grupo Demônios da Garoa tocando Violão de 7 cordas e também do regional de choro de Carlos Poyares. Em ambos os conjuntos esteve presente também Canhotinho no cavaquinho.

Ventura Ramirez começou sua carreira como calouro no programa de rádio de Hebe Camargo, ainda no final da década de 1950, assinando logo em seguida um contrato de 5 anos com a Rádio Nacional. Com seu talento nato ao violão e voz marcante, Ventura Ramirez logo entrou para o cenário musical brasileiro, acompanhando músicos renomados no choro e seresta, como Nelson Gonçalves, Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo, Altamiro Carrilho, Orlando Silva, Luiz Gonzaga, Cartola, Lupicínio Rodrigues, além de participar do regional de choro de Carlos Poyares.

No início da década de 1960, ainda com o violão de 6 cordas, mas já com o seu estilo inconfundível nas “baixarias” que fazia com o instrumento, Ventura Ramirez é convidado a integrar o conjunto Demônios da Garoa, do qual fez parte por diversas vezes até 2005. Pouco tempo depois de entrar no conjunto, Ventura Ramirez adotou permanentemente o violão de 7 cordas, instrumento que o consagrou como um dos seus melhores representantes. Foi ele quem levou pela primeira vez o 7 cordas para os Demônios da Garoa, criando uma das marcas registradas ainda hoje mantidas pelo conjunto, mesmo após o seu desligamento. O 7 cordas surgiu para o artista cedo ainda em sua vida musical, iniciada aos 13 anos de idade, vindo da necessidade que sentia ao achar, ainda cedo, o violão de 6 cordas “limitado”, por ter “poucas” cordas!

Ao longo de sua carreira de mais de 50 anos, Ventura Ramirez, atualmente com 67 anos e puro vigor, recebeu diversos prêmios e honrarias de renomados nomes. Entre eles, está o prêmio Roquete Pinto de Revelação do Ano em 1960, o Oscar da música brasileira há alguns anos. Naquele ano, Ventura Ramirez recebeu a notícia que fora premiado pelo apresentador Silvio Santos, seu então companheiro de Rádio Nacional e com quem excursionou pelo Brasil com a famosa “Caravana do Peru que Fala”, grupo de artistas comandado por Silvio Santos e que viajava pelo Brasil divulgando a música brasileira. Como outros importantes prêmios de sua carreira, Ventura Ramirez foi por 3 vezes agraciado com o Troféu Velho Guerreiro, do saudoso Chacrinha, sendo duas vezes solo e uma com os Demônios da Garoa; 14 vezes recebeu o diploma de Melhor da Semana pelo comunicador Helio Souto e outros diversos prêmios de grêmios estudantis, da Casa da Fazenda e da Secretaria de Cultura de São Paulo.

Ventura Ramirez é considerado um dos melhores violões de 7 cordas pela crítica musical do Brasil, com uma agilidade e domínio das cordas pouco vistas até os dias de hoje. Além de violonista e cantor, Ventura Ramirez é compositor e arranjador, tendo já várias músicas gravadas ao longo da discografia dos Demônios da Garoa e de outros artistas de renome no cenário nacional, como Waldick Soriano.

Em sua carreira solo, Ventura Ramirez já gravou diversos discos, sendo o mais recente deles o CD “Tributo a Nelson Gonçalves”, pela gravadora ZAN. Nelson foi seu amigo e companheiro musical, sendo, fora dos Demônios da Garoa, o cantor de cujas gravações mais participou. Seu timbre forte lembra bastante a voz do grande Nelson em seus momentos de mais forte vigor vocal. Ainda nos tempos dos LPs, Ventura Ramirez tem registrados 3 discos, sendo dois cantando e um instrumental com o violão de 7 cordas. Recentemente, Ventura Ramirez gravou também com artistas atuais do cenário musical brasileiro, como os consagrados Ivan Lins e Guilherme Arantes.

Como fiel representante da música tradicional brasileira, de um tempo áureo em que os artistas tinham necessariamente que ter talento e técnica, em seus shows, Ventura Ramirez passeia pelo repertório da seresta e dos grandes cantores de rádio, como Nelson Gonçalves, Orlando Silva e Silvio Caldas, além de, com o seu violão de 7 cordas, representar os maiores clássicos do choro e, é claro, do bom samba, tudo no melhor estilo de um dos mais importantes violonistas da história da
música popular brasileira.